Suplementação de creatina anula o efeito adverso do exercício de endurance sobre o subseqüente desempenho de força.
Nas últimas décadas, diversos estudos investigaram o efeito do treinamento concorrente, no qual o exercício de endurance e o exercício de força são realizados simultaneamente na mesma sessão de treino.
A literatura apresenta resultados controversos Algumas pesquisas sugerem que não existe interferência do treinamento concorrente sobre o desempenho de força ou potência aeróbica(9-12). No entanto, em um estudo conduzido por Nelson et
al.(13) foi demonstrado que a realização do treinamento concorrente prejudica o desenvolvimento da potência aeróbica. Atualmente, o dado mais consistente sobre o treinamento concorrente indica que essa estratégia atenua o ganho de força e potência em comparação com o treinamento de força isolado.
Existem duas hipóteses para explicar essa interferência deletéria do treinamento concorrente. Essas hipóteses estão relacionadas a processos agudos ou crônicos. A hipótese crônica consiste na idéia de que, após o treino concorrente, o músculo tentaria adaptar-se a ambos os estímulos. No entanto, isso não é possível porque as adaptações crônicas induzidas pelo treinamento de endurance são freqüentemente inconsistentes com as observadas durante o treinamento de força. Segundo a hipótese crônica, a combinação desses dois estímulos diferentes poderia afetar o desenvolvimento dessas duas capacidades físicas (força e potência aeróbica) devido ao fato de que ambos induzem adaptações diferentes.
Esse comprometimento poderia ser explicado pela realização do exercício de força em uma condição energética e metabólica adversa, caso o mesmo fosse precedido por um exercício de endurance(1). Isso aconteceria durante o treino de força realizado na mesma sessão, portanto, caracterizando um efeito agudo. Nesse contexto, o músculo estaria com sua capacidade de desenvolver tensão reduzida durante a realização do posterior treino de força.
A hipótese de interferência aguda é sustentada pelo estudo de Craig et al, que verificaram que o desenvolvimento de força nos membros inferiores ficou comprometido pela realização de uma corrida imediatamente antes do treino de força. No mesmo estudo foi observado que a adaptação dos membros superiores não foi comprometida pelo treino prévio de endurance. Segundo os autores,
a musculatura das pernas não se recuperaria do treino de endurance e não se realizaria o treino de força na intensidade necessária para promover as adaptações desejadas.
Neste Estudo foi constatado que a suplementação de creatina é capaz de anular o efeito adverso induzido pelo exercício de endurance sobre o subseqüente desempenho no teste de repetições máximas a 80% do valor de 1-RM. Esses resultados sugerem que o sistema ATP-CP contribui de maneira significativa para realização do exercício concorrente, no qual o subseqüente treino de força é
realizado em alta intensidade.
Estudo Original de Rodrigo Vitasovic Gomes e Marcelo Saldanha Aoki

Nutricionista
SportsNutrition
CRN 3- 22734